Análise de "Siren"

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[Introdução]

Este trabalho foi feito para a cadeira de Análise de Filmes em 2010. Juntamente com uma colega, tentámos apanhar algumas das características que diferenciam o Terror Japonês do comercial Terror Americano. Eu tive o prazer de analisar Siren. Apresento-vos agora essa análise com alguns melhoramentos.

[Siren]

Siren é um filme japonês do realizador Yukihiko Tsutsumi, que podem encontrar também pelo nome de Forbidden Siren. Estreado no dia 11 de Fevereiro de 2006, o filme baseia-se num jogo com o mesmo nome bastante popular no Japão e um pouco por todo o mundo. Alguns dos assuntos que retrata são: Lendas urbanas, perca de um ente querido, doenças do foro psicológico, ceitas religiosas, entre outros.

[Sinopse *Spoiler*]

Siren, história baseada no jogo com o mesmo nome, começa com alguns relatos de desaparecimentos. 1590, América, 117 cidadãos da ilha Roano Secretary desaparecem repentinamente e apenas é deixada uma carta misteriosa. 1872, Oceano Atlântico, Mary Sylas (navio) é encontrado a flutuar no meio do oceano completamente vazio, podendo-se ler no navio “4 de Dezembro: A minha mulher, Mary”. 1976, Yame no Japão, misteriosamente, toda a população desaparece sem deixar rasto, à excepção de um homem que quando questionado pelos bombeiros acerca do paradeiro dos restantes habitantes, apenas refere uma sirene cujo terceiro toque significa que não se deve sair à rua.

A história passa depois para Yuki, o seu pai Shinichi, o irmão mais novo Hideo e o cão Osnan, que se mudaram de Tokio para Yame (uma ilha no Japão). Assim que chegam é nos apresentada mais uma personagem, o médico Minamida, que mostra a ilha à família. Já instalados na nova casa, a vizinha Satomi ajuda Yuki com as limpezas da casa e durante a sua visita conta à protagonista que na aldeia existe uma lenda urbana muito respeitada pelos ilhéus que consiste na ideia de que quando a sirene que está na torre de metal começa a tocar, as pessoas não devem sair de casa, e mesmo de dia, ninguém se deve aproximar dessa mesma torre.

Enquanto a filha arrumava a casa nova, Shinichi sai para explorar a ilha. Durante essa investigação cruza-se com alguns habitantes de Yame que lhe explicam que o vento ali tem som por causa da torre de metal na floresta (acrescentando ainda que poucas pessoas se aproximaram daquele lugar por ser muito perigoso).

Voltamos à jovem Yuki, que sai da clinica de Minamida onde Hideo foi examinado. Quando ela está cá fora apercebe-se da ausência do irmão e vai à sua procura. No decorrer da busca ela não encontra nenhum habitante (algo estranho pois encontra os rádios ligados, a comida em cima da mesa, entre outras coisas que indicam que o desaparecimento terá sido repentino). Após algum tempo, segue Hideo até uma casa aparentemente abandonada onde é surpreendida por um homem que não pára de repetir “não saias de casa quando a sirene tocar”.

De noite, Shinichi sai para fotografar a ilha e deixa Yuki e Hideo sozinhos em casa. Algum tempo depois, falta a luz e a rapariga recebe um telefonema estranho de um homem que diz que quando a sirene soar “eles” a vão rodear. Segundos passam, a sirene toca e com Hideo fugido novamente, ela vê-se obrigada a sair de casa. Embora nada lhe aconteça, o pai desaparece.

No dia seguinte, juntamente com Minamida, Yuki vai até à floresta à procura de Shinichi mas o médico acaba por desaparecer e ela acaba por ser perseguida por algo que a tem vindo a seguir já há algum tempo. Com medo ela refugia-se no edifício sagrado e acaba por descobrir o pai aparentemente morto. Repentinamente regressamos à floresta onde Yuki aparece a correr até que encontra Minamida novamente. Os dois vão até ao edifício na companhia de um polícia mas o corpo de Shinichi já não está lá.

Ao regressar a casa, Yuki encontra o pai. Ele explica-lhe o seu desaparecimento mas nem tudo está bem… O comportamento de Shinichi mudou e até o cão Osnan nota isso (não parando de lhe ladrar, sendo que acaba por ser morto por isso).

O final do filme aproxima-se quando a protagonista encontra Hideo de noite no meio da floresta acompanhado por uma rapariga misteriosa que se parece com um demónio de uma das lendas urbanas da ilha. A sirene toca, Hideo desmaia com febre e Yuki leva-o para a casa abandonada do início do filme. Alguns segundos depois aparece o homem louco e rapidamente o trio vê-se cercado pelos habitantes da aldeia transformados em criaturas que se parecem com zombies. Antes de ser atacado, o homem diz a Yuki para fugir e destruir a sirene.

Ela consegue fugir para sua casa, arruma algumas coisas numa mala e acaba por descobrir (após ver umas fotos tiradas após o incidente de 1976) uma divisão escondida onde estão fotografias dos antigos habitantes de Yame (os que desapareceram). O problema é que esses habitantes são os mesmos que Yuki conhece, sem terem envelhecido um ano.

Antes de sair de casa, Yuki encontra o pai a comportar-se como se se tivesse transformado numa espécie de zombie e inclusivamente tenta matá-la a ela e a Hideo obrigando-a a fugir novamente e desta vez em direcção à sirene. Colocando o irmão mais novo às costas, Yuki começa a subir as escadas da torre de metal onde estava a sirene mas é seguida pelos zombies que a tentam apanhar. Com algum esforço ela chega ao topo da torre e parte a sirene, no entanto, esta continua a soar.

Confusa e assustada Yuki reencontra Minamida, em forma humana, que lhe diz que a sirene não pára de tocar porque não existe, está tudo na cabeça dela, apenas ela consegue ouvir a sirene e mais, o irmão dela Hideo morreu há muito tempo atrás e isso provocou-lhe um desequilíbrio psicológico tão grande que entre outras coisas ela conseguia ver o irmão e tocá-lo. Em choque, Yuki lembrasse da morte do irmão mas quando volta a realidade continua a ver os zombies e inclusive Minamida também é um deles, sendo que a única saída que vê é atirar-se da torre.

Forbidden Siren acaba com Yuki, que sobrevive, internada na clínica de Minamida. Fora do quarto, o médico diz a Shinichi que há 26 anos atrás um homem também afirmava conseguir ouvir a sirene, acabando depois por assassinar os ilhéus (a verdade por de trás do desaparecimento dos habitantes de Yame em 1976). Desde então diz-se que quando a sirene toca ninguém deve sair à rua.

Após esta conversa, Shinichi regressa a casa e Minamida vai para o seu escritório onde junta uma parte do diário do homem que matou os habitantes em 1976 (que ele já possuía) com uma parte que Yuki tinha consigo, desvendando a última entrada “(…) ao terceiro toque não se pode sair de casa, ao quarto toque tenho de os matar a todos (…)”

Na última cena, Yuki acorda e a sirene volta a tocar. Pegando numa faca, a protagonista vai até ao gabinete de Minamida e mata-o. A ilha é invadida por um nevoeiro vermelho e a história acaba.

[Análise do filme]

Depois de ver e rever o filme de Yukihiko Tsutsumi, encontrei alguns dos elementos que fazem deste filme um filme de terror. Os elementos foram: A cor vermelha, o cão, a palavra “live”, a Sirene (que dá nome ao filme), a Escuridão (seja pelas sombras, pelo nevoeiro ou pelo mau tempo), os Monstros (tanto animais selvagens como zombies), a Religião na forma de Ceitas, as personagens a nível psicológico e os edifícios. De seguida explicarei pormenorizadamente cada elemento.

A Cor Vermelha...

A cor vermelha é usada frequentemente durante o filme, estando presente na maioria dos planos. A cor, aqui revelando o lado mais sanguinário do filme, é nos apresentada por exemplo, nos lençóis que são lavados logo no início do filme, na mala da protagonista que está sempre com ela e que também é vermelha, na cor da roupa de alguns personagens, no ferro de engomar que Yuki usa, no diário do homem louco, obviamente também no sangue e finalmente podemos ver que o nevoeiro final é igualmente avermelhado (exactamente para servir de metáfora ao chacino da população de Yame) assim como a perspectiva de visão que temos do ser que persegue Yuki (quando vemos a partir de uma perspectiva subjectiva do ser, vemos que ele vê o mundo em tons de vermelho, indicando que é um ser maligno, sanguinário).

O cão…

O cão aparece em três ou quatro formas, dependendo de como se analisar. Essencialmente existem três formas, a do cão enquanto animal doméstico representado por Osnan (o cão de Yuki que acaba por ser morto pelo pai da protagonista porque lhe ladrava depois da suposta transformação em zombie), em forma de uma palavra de um jogo que Hideo joga durante o filme e que nos leva para os mitos sobre a ilha e finalmente, o cão é um dos elementos presentes nos cânticos que os habitantes entoam e é esta forma que pode ser dividida pois as bestas selvagens que vivem na floresta são representadas como cães (concluí isto porque os habitantes pedem protecção dos “cães”). 

Live

A palavra “live” em português “viver”, que aparece escrita em vários locais, por exemplo, escrita a sangue na parede ou no jogo de palavras de Hideo. Na minha opinião esta palavra aparece com vários significados.

Por um lado, refere-se à vontade de viver que os habitantes de Yame têm, preocupando-se bastante com o risco de vida que correm, podendo a qualquer altura serem mortos pelas criaturas da floresta e pelas criaturas que invadem a ilha quando a sirene toca.

Algo que poderá ter sido uma pista para nos dizer que Hideo estava morto, foi o facto de ter sido uma das palavras que ele criou quando estava a jogar uma espécie de Scramble. O facto de ele estar morto contra o facto de querer estar vivo, sendo algo que desejaria (se pudesse).

Como mais um elemento de terror, a “vida” que os habitantes ganham com o toque da sirene, o nascimento dos zombies.

Por outro lado, "live" ao contrário faz a palavra "evil", algo maligno que envolve a ilha e os seus habitantes.

Sirene…

A sirene, que dá nome ao filme, é um dos elementos de terror essenciais do mesmo. Não sendo um medo físico mas sim psicológico, a sirene indica que algo de horrível se irá passar… Pessoas irão morrer… Talvez até a própria personagem ou a sua família… Levando o espectador a entrar em angústia e desespero, assim como às personagens.

Escuridão…

A escuridão é também frequente no filme. Seja através das sombras que tornam difícil ver, seja quando alguém sai da escuridão ou quando a luz falta escondendo os perigos iminentes que podem atacar a qualquer momento, seja pelo mau tempo que deixa toda a ilha com um tom mais escuro e sombrio ou seja ainda através do nevoeiro que cobre a ilha.

Monstros (animais selvagens e zombies)…

Logo no início do filme, os habitantes preocupam-se em avisar os recém-chegados para terem cuidado com os animais selvagens da floresta que atacam e matam as pessoas, principalmente quando elas se tentam aproximar da torre de metal que suporta a sirene (algo referido frequentemente).

Quanto aos zombies, eles aparecem-se essencialmente na parte final do filme, a parte da fuga de Yuki e a sua caminhada até à sirene. Estes zombies eram, supostamente, a população da ilha que Yame que após terem morrido em 1976 permaneceram na ilha, transformando-se em zombies quando a sirene tocava (mostrando o real poder da sirene e o seu propósito).

A Religião (na forma de ceitas)…

Em muitos filmes de terror são usadas religiões para servirem de base ao lado maligno da história e também em Siren isso acontece. Mais ou menos a meio do filme, quando Yuki foge do homem louco da cabana da floresta e se esconde na igreja da ilha, vemos aquilo que parece ser um ritual religioso próprio daquela zona, provavelmente uma ceita criada para a população se sentir protegida. O facto de o espectador ser confrontado com aquele ritual, dá-lhe a confirmação de que algo de muito sinistro se passa naquele local, algo de que até os habitantes têm um medo tão grande ao ponto de procurarem na religião uma forma de se salvarem.

Personagens (a nível psicológico)…

Um outro elemento neste filme que o aproxima do género de terror é o facto de algumas das suas personagens estarem psicologicamente alteradas.

Primeiro somos confrontados com o sobrevivente do massacre de 1976 em Yame. Este homem estava visivelmente alterado, louco, em estado de pânico devido ao que tinha acontecido, chegando ao ponto de se suicidar pouco tempo depois.

Um caso semelhante acaba por aparecer quando Yuki procura o irmão numa cabana abandonada da floresta. Aí é introduzido um homem que também mostra sinais de aparente loucura e pânico por causa da sirene e daquilo que ela significa.

Estes dois casos servem igualmente para alertar o espectador, deixando-o com medo da sirene. Foi esta que causou o massacre e a existência de duas pessoas que entram em pânico por causa dela ajudam a desenvolver o terror do filme.

O caso final é o da personagem principal, que sofre de alucinações desde a morte do irmão mais novo, Hideo. Este estado psicológico faz com que ela veja o irmão como se ele ainda estivesse vivo (esquecendo-se da sua morte) e já no final do filme essa condição faz com que mate Minamida e, possivelmente, todos os outros habitantes, uma vez que, em 1976 o massacre fora responsabilidade de um homem com um problema psicológico semelhante ao de Yuki (ambos ouviam uma sirene, que afinal não existia, e ambos viam os zombies que tinham de matar).

Edifícios…

O último elemento visual de terror que encontrei neste filme foram os edifícios, nomeadamente os edifícios abandonados e alterados.

Durante o filme encontrei dois desses edifícios. O primeiro, a casa abandonada da floresta que se tornara na aparente habitação do homem louco que Yuki encontra. O segundo, o velho edifício que fora remodelado para ser uma espécie de Igreja para os habitantes de Yame se reunirem e fazerem os seus rituais.
   

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